O sentimento inconsciente de culpa e a prática criminosa: uma releitura de Freud
DOI:
https://doi.org/10.22169/cadjud.v9n1.4039Resumo
O presente estudo analisa a relação entre o sentimento inconsciente de culpa e a prática criminosa a partir da teoria psicanalítica freudiana, buscando compreender de que maneira determinados atos criminosos podem constituir uma manifestação da dinâmica inconsciente do sujeito, e não apenas uma transgressão motivada por fatores sociais, econômicos ou racionais. A pesquisa fundamenta-se principalmente nas formulações freudianas sobre os "criminosos por sentimento de culpa", na teoria estrutural do aparelho psíquico e na concepção do superego como instância responsável pela produção do sentimento inconsciente de culpa (Freud, 1913, 1916, 1923, 1930). O estudo também dialoga com contribuições posteriores da psicanálise e da criminologia clínica, especialmente as de Alexander e Staub (2002), Reik (1980), Klein (1996), Lacan (1998), Garcia-Roza (2014) e Saboya (2018), ampliando a compreensão da criminalidade como fenômeno que envolve conflitos psíquicos, mecanismos inconscientes e processos subjetivos relacionados ao desejo de punição e à responsabilidade do sujeito. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica de caráter exploratório e interpretativo. Os resultados da investigação indicam que a psicanálise oferece importantes contribuições à criminologia ao evidenciar que, em determinados casos, o crime pode representar uma tentativa inconsciente de aliviar um sentimento de culpa previamente existente, revelando que a punição assume uma função psíquica para além de sua dimensão jurídica. Conclui-se que a perspectiva psicanalítica amplia a compreensão do comportamento criminoso ao deslocar o foco da infração para a constituição subjetiva do indivíduo e para os conflitos inconscientes que atravessam sua relação com a lei, a culpa e a civilização.
Palavras-chave: psicanálise; criminologia; sentimento inconsciente de culpa; Freud; superego.
Abstract
This study analyzes the relationship between unconscious guilt and criminal behavior from the perspective of Freudian psychoanalytic theory, seeking to understand how certain criminal acts may constitute manifestations of unconscious dynamics rather than merely transgressions motivated by social, economic, or rational factors. This study is primarily grounded in Freud's formulations concerning "criminals from a sense of guilt," the structural theory of the psychic apparatus, and the conception of the superego as the psychic instance responsible to produce unconscious guilt (Freud, 1913, 1916, 1923, 1930). The analysis also draws upon subsequent contributions from psychoanalysis and clinical criminology, particularly those of Alexander and Staub (2002), Reik (1980), Klein (1996), Lacan (1998), Garcia-Roza (2014), and Saboya (2018), broadening the understanding of criminality as a phenomenon involving psychic conflicts, unconscious mechanisms, and subjective processes related to the desire for punishment and the subject's responsibility. This qualitative study was conducted through an exploratory and interpretative bibliographic review. The findings suggest that psychoanalysis offers significant contributions to criminology by demonstrating that, in certain cases, criminal behavior may represent an unconscious attempt to alleviate a pre-existing sense of guilt, revealing that punishment assumes a psychic function extending beyond its legal dimension. It is concluded that the psychoanalytic perspective broadens the understanding of criminal behavior by shifting the focus from the offense itself to the subject's constitution and the unconscious conflicts that shape the relationship between the subject, the law, guilt, and civilization.
Keywords: psychoanalysis; criminology; unconscious guilt; Freud; superego.
Resumen
El presente estudio analiza la relación entre el sentimiento inconsciente de culpa y la práctica delictiva desde la perspectiva de la teoría psicoanalítica freudiana, con el propósito de comprender de qué manera determinados actos delictivos pueden constituir una manifestación de la dinámica inconsciente del sujeto y no únicamente una transgresión motivada por factores sociales, económicos o racionales. La investigación se fundamenta principalmente en las formulaciones de Freud sobre los "delincuentes por sentimiento de culpa", en la teoría estructural del aparato psíquico y en la concepción del superyó como la instancia psíquica responsable de la producción del sentimiento inconsciente de culpa (Freud, 1913, 1916, 1923, 1930). El estudio también dialoga con las contribuciones posteriores del psicoanálisis y de la criminología clínica, especialmente las de Alexander y Staub (2002), Reik (1980), Klein (1996), Lacan (1998), Garcia-Roza (2014) y Saboya (2018), ampliando la comprensión de la criminalidad como un fenómeno que implica conflictos psíquicos, mecanismos inconscientes y procesos subjetivos relacionados con el deseo de castigo y la responsabilidad del sujeto. Se trata de una investigación de naturaleza cualitativa, desarrollada mediante una revisión bibliográfica de carácter exploratorio e interpretativo. Los resultados de la investigación indican que el psicoanálisis ofrece importantes contribuciones a la criminología al evidenciar que, en determinados casos, el delito puede representar un intento inconsciente de aliviar un sentimiento de culpa preexistente, revelando que el castigo asume una función psíquica que trasciende su dimensión jurídica. Se concluye que la perspectiva psicoanalítica amplía la comprensión de la conducta criminal al desplazar el foco de la infracción hacia la constitución subjetiva del individuo y hacia los conflictos inconscientes que atraviesan su relación con la ley, la culpa y la civilización.
Palabras clave: psicoanálisis; criminología; sentimiento inconsciente de culpa; Freud; superyó.
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