UTOPIA, CONTESTAÇÃO E LIMITES DO ROCK SESSENTISTA NA SOCIEDADE ESTADUNIDENSE
DOI:
https://doi.org/10.22169/cadernointer.v14n54.3787Resumo
O presente artigo analisa como o gênero musical rock foi utilizado como instrumento de manifestação sociopolítica e cultural pela juventude estadunidense durante os movimentos de contracultura da década de 1960. A partir de uma metodologia bibliográfica e interdisciplinar, fundamentada em autores como Pereira (1983), investigam-se os processos de construção identitária da juventude norte-americana e a escolha do rock como principal forma de expressão contestatória e revolucionária de uma geração posteriormente conhecida como baby boomers. Para tanto, buscou-se inicialmente compreender o fenômeno da contracultura e seus objetivos frente à sociedade da época. Também se contextualizou o conceito de juventude como categoria geracional e a evolução do rock, desde suas raízes nos cantos de trabalho dos escravizados africanos entre os séculos XVII e XIX, passando pelo jazz e pelo blues, até a consolidação do rock ‘n’ roll nos anos 1950. Por fim, analisam-se de forma sucinta as obras de Bob Dylan, Janis Joplin e Jimi Hendrix – ícones culturais e comerciais da década de 1960 – bem como os festivais de Woodstock e Altamont, compreendidos como expressões emblemáticas das tensões e contradições da contracultura estadunidense.
Palavras-chave: rock; juventude sessentista; contracultura estadunidense.
Abstract
This article analyzes how the musical genre rock was used as an instrument of sociopolitical and cultural expression by American youth during the counterculture movements of the 1960s. Based on a bibliographic and interdisciplinary methodology, grounded in authors such as Pereira (1983), it investigates the identity-building processes of U.S. youth and the choice of rock as the main form of contestatory and revolutionary expression of a generation later known as the baby boomers. To this end, the study initially seeks to understand the phenomenon of counterculture and its aims in relation to the society of that period. It also contextualizes the concept of youth as a generational category and traces the evolution of rock — from its roots in the work songs of enslaved Africans between the 17th and 19th centuries, through jazz and blues, to the consolidation of rock ’n’ roll in the 1950s. Finally, it briefly analyzes the works of Bob Dylan, Janis Joplin, and Jimi Hendrix — cultural and commercial icons of the 1960s — as well as the Woodstock and Altamont festivals, understood as emblematic expressions of the tensions and contradictions within U.S. counterculture.
Keywords: rock; 1960s youth; U.S. counterculture.
Resumen
El presente artículo analiza cómo el género musical rock fue utilizado como instrumento de manifestación sociopolítica y cultural por la juventud estadounidense durante los movimientos contraculturales de la década de 1960. A partir de una metodología bibliográfica e interdisciplinaria, fundamentada en autores como Pereira (1983), se investigan los procesos de construcción identitaria de la juventud norteamericana y la elección del rock como principal forma de expresión contestataria y revolucionaria de una generación posteriormente conocida como baby boomers. Para ello, se buscó inicialmente comprender el fenómeno de la contracultura y sus objetivos frente a la sociedad de la época. También se contextualizó el concepto de juventud como categoría generacional y la evolución del rock, desde sus raíces en los cantos de trabajo de los africanos esclavizados entre los siglos XVII y XIX, pasando por el jazz y el blues, hasta la consolidación del rock ‘n’ roll en los años cincuenta. Por último, se analizan de forma sucinta las obras de Bob Dylan, Janis Joplin y Jimi Hendrix — íconos culturales y comerciales de la década de 1960 —, así como los festivales de Woodstock y Altamont, comprendidos como expresiones emblemáticas de las tensiones y contradicciones de la contracultura estadounidense.
Palabras clave: rock; juventud de los años sesenta; contracultura estadounidense.
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