A CRÍTICA DA CIBERNÉTICA EM HANS JONAS: EM DEFESA DE UMA TELEOLOGIA DA VIDA
DOI:
https://doi.org/10.22169/cadernointer.v15n56.4071Resumo
O presente artigo objetiva analisar a forma como se estrutura a crítica de Hans Jonas à cibernética, tal como consta no ensaio Cibernética e finalidade: uma crítica, de sua obra O princípio vida - Fundamentos para uma biologia filosófica. Com este intuito, dividimos a análise de acordo com três eixos norteadores, quais sejam: como, para Hans Jonas, a experiência da própria interioridade é fundamental para que o indivíduo defina para si mesmo uma finalidade significativa; por qual razão Jonas considera que a cibernética não conseguiu superar o dualismo cartesiano; e, finalmente, refletir sobre o motivo pelo qual o autor julga a adoção do método cibernético em filosofia como fonte de equívocos. A pesquisa, de natureza qualitativa e de caráter bibliográfico, é desenvolvida mediante a análise das obras de Hans Jonas e de Norbert Wiener e do cotejo entre as metodologias aplicadas por cada qual para a conceituação da vida. Dentre as conclusões a que se chegou, constam que, apesar de Hans Jonas partir de uma base fenomenológica e Norbert Wiener de uma base físico-matemática - o que faz com que cada um tenha a respeito do fenômeno da vida perspectivas díspares entre si -, ambos os autores concordam com a cautela com que se devem empregar termos como vida, finalidade, objetivo etc., os quais, utilizados a princípio num sentido analógico dentro do discurso cibernético, podem ser extrapolados por pesquisadores inconsequentes. Além disso, é possível entender a natureza do risco acusado por Hans Jonas ao se tentar introduzir o método cibernético em disciplinas como filosofia e sociologia, uma vez que tal ato, realizado de maneira irrefletida, pode invalidar a lógica e veracidade de ambas.
Palavras-chave: Hans Jonas; cibernética; teleologia; interioridade; dualismo cartesiano.
Abstract
The present article aims to analyze the way in which Hans Jonas structures his critique of cybernetics, as presented in the essay Cybernetics and Purpose: A Critique, included in his work The Phenomenon of Life: Toward a Philosophical Biology. To this end, the analysis is organized around three guiding axes: first, how, for Hans Jonas, the experience of one's own inwardness is fundamental for individuals to define meaningful purposes for themselves; second, why Jonas argues that cybernetics failed to overcome Cartesian dualism; and finally, the reasons why he regards the adoption of the cybernetic method in philosophy as a source of misconceptions. This qualitative and bibliographic study is developed through an analysis of the works of Hans Jonas and Norbert Wiener and a comparison of the methodologies employed by each author in conceptualizing life. Among the conclusions reached is that, although Hans Jonas starts from a phenomenological perspective and Norbert Wiener from a physical-mathematical one, leading them to divergent views on the phenomenon of life, both authors agree on the need for caution in the use of terms such as life, purpose, and objective. While such concepts are initially employed in an analogical sense within cybernetic discourse, they may be improperly extended by careless researchers. Furthermore, it is possible to understand the nature of the risk identified by Hans Jonas in the attempt to introduce the cybernetic method into disciplines such as philosophy and sociology, since its unreflective application may undermine the logic and validity of both fields.
Keywords: Hans Jonas; cybernetics; teleology; inwardness; Cartesian dualism.
Resumen
El presente artículo tiene como objetivo analizar la forma en que se estructura la crítica de Hans Jonas a la cibernética, tal como se desarrolla en el ensayo Cibernética y finalidad: una crítica, incluido en su obra El principio vida: hacia una biología filosófica. Con este propósito, hemos organizado el análisis en torno a tres ejes fundamentales: en primer lugar, cómo, para Hans Jonas, la experiencia de la propia interioridad es fundamental para que el individuo pueda definir para sí mismo una finalidad significativa; en segundo lugar, por qué Jonas considera que la cibernética no logró superar el dualismo cartesiano; y, finalmente, reflexionar sobre las razones por las cuales el autor considera que la adopción del método cibernético en filosofía constituye una fuente de equívocos. La investigación, de naturaleza cualitativa y carácter bibliográfico, se desarrolla mediante el análisis de las obras de Hans Jonas y Norbert Wiener, así como mediante la comparación entre las metodologías empleadas por cada uno de ellos para la conceptualización de la vida. Entre las conclusiones alcanzadas se encuentra que, a pesar de que Hans Jonas parte de una base fenomenológica y Norbert Wiener de una base físico-matemática —lo que hace que cada uno adopte perspectivas diferentes acerca del fenómeno de la vida—, ambos autores coinciden en la necesidad de emplear con cautela términos como vida, finalidad, objetivo, etc., los cuales, utilizados inicialmente en un sentido analógico dentro del discurso cibernético, pueden ser extrapolados de manera indebida por investigadores poco rigurosos. Además, es posible comprender la naturaleza del riesgo señalado por Hans Jonas al intentar introducir el método cibernético en disciplinas como la filosofía y la sociología, puesto que tal proceder, cuando se lleva a cabo de manera irreflexiva, puede comprometer la lógica y la validez de ambas disciplinas.
Palabras clave: Hans Jonas; Cibernética; Teleología; Interioridad; Dualismo cartesiano.
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