OS DESAFIOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA O MERCADO DE TRABALHO NO CONTEXTO BRASILEIRO

Autores

  • Dinamara Pereira Machado Centro Universitário Internacional (UNINTER)
  • Adriano Sousa Lima Centro Universitário Internacional (UNINTER)
  • Adriane Buhrer Baglioli Brun Centro Universitário Internacional (UNINTER)
  • Crisbelli Djamilli Domingos Centro Universitário Internacional (UNINTER)
  • Gisele Rocio Cordeiro Centro Universitário Internacional (UNINTER)
  • Maria Tereza Xavier Cordeiro Centro Universitário Internacional (UNINTER)

Resumo

Caro(a) leitor(a),

É com grande satisfação que apresentamos uma nova edição do Caderno Intersaberes, cujo dossiê dedica-se à reflexão sobre os desafios da inteligência artificial para o mercado de trabalho no contexto brasileiro. Em um período histórico marcado pela acelerada incorporação de tecnologias digitais aos processos produtivos, educacionais, comunicacionais e culturais, torna-se imprescindível analisar criticamente os impactos da inteligência artificial sobre as formas de trabalho, produção do conhecimento e organização da vida social. Mais do que uma inovação tecnológica, a inteligência artificial configura-se como um fenômeno que reordena práticas profissionais, redefine competências, tensiona modelos formativos e suscita importantes questões éticas, políticas e epistemológicas.

Nesse contexto, os trabalhos reunidos no presente dossiê evidenciam a amplitude e a complexidade das transformações em curso. Longe de restringir-se às discussões técnicas sobre algoritmos e automação, os textos abordam a inteligência artificial a partir de diferentes campos do conhecimento, revelando suas implicações para a educação, a linguagem, a pesquisa científica, a psicopedagogia, a memória social, a ética e os processos de formação humana. Tal diversidade permite compreender que os desafios colocados pela IA não dizem respeito apenas à adaptação tecnológica, mas à necessidade de repensar criticamente as relações entre conhecimento, trabalho, humanidade e desenvolvimento social.

No campo educacional, diversos artigos investigam as potencialidades e os limites da inteligência artificial em processos de ensino e aprendizagem. As reflexões sobre o uso da IA por professores de Matemática, a personalização da aprendizagem no ensino de Língua Inglesa, a aprendizagem significativa, os impactos do uso de telas e os recursos voltados à intervenção psicopedagógica demonstram que a incorporação dessas tecnologias não elimina a centralidade da docência, mas exige novas competências para mediar criticamente os recursos digitais e promover experiências formativas significativas. Nesse cenário, emerge uma questão fundamental: como articular inovação tecnológica e formação humana sem reduzir o processo educativo a lógicas instrumentais ou meramente operacionais?

Os artigos também evidenciam que a inteligência artificial tem provocado importantes transformações no campo da pesquisa e da produção do conhecimento. As discussões sobre agentes de IA aplicados à pesquisa histórica, sobre preservação da memória digital e sobre o desenvolvimento ético de chatbots e sistemas inteligentes demonstram que as novas tecnologias ampliam possibilidades de investigação e processamento de informação, ao mesmo tempo em que exigem critérios rigorosos de validação, interpretação crítica e responsabilidade ética. O avanço das ferramentas digitais não elimina a necessidade da reflexão humana; ao contrário, torna ainda mais necessária a capacidade de analisar criticamente os processos por meio dos quais o conhecimento é produzido, organizado e compartilhado.

De modo igualmente relevante, o dossiê convida o leitor a refletir sobre dimensões culturais, sociais e linguísticas que atravessam o debate contemporâneo. Estudos sobre a Língua Brasileira de Sinais, o Internetês na educação a distância, a história local, a educação libertadora em Paulo Freire e os impactos socioambientais das queimadas na Amazônia revelam que a discussão sobre tecnologia não pode ser dissociada das realidades concretas vividas pelos sujeitos e pelas comunidades. A inovação tecnológica adquire sentido apenas quando articulada às necessidades humanas, às demandas por inclusão, às questões de justiça social e aos desafios da sustentabilidade.

Essa perspectiva torna-se particularmente relevante em um contexto no qual o mercado de trabalho brasileiro convive simultaneamente com oportunidades de inovação e profundas desigualdades sociais. O avanço da inteligência artificial impõe novos desafios para trabalhadores, gestores, educadores e formuladores de políticas públicas. Exige-se não apenas a aquisição de competências técnicas, mas também o fortalecimento do pensamento crítico, da criatividade, da capacidade de resolução de problemas complexos e da sensibilidade ética. Em outras palavras, os desafios da IA ultrapassam a dimensão tecnológica e alcançam a própria formação dos sujeitos que irão habitar e transformar os ambientes sociais e profissionais do futuro.

A seção Temas Livres amplia ainda mais o horizonte reflexivo desta edição. Os textos dedicados à análise teológica da inteligência artificial à luz da doutrina da encarnação, aos estudos sobre Libras e comunicação aumentativa, à história da educação especial, à educação antirracista, à qualidade do ar e aos diálogos filosóficos com Hans Jonas demonstram a vitalidade da produção científica contemporânea e a importância de abordagens interdisciplinares para a compreensão dos desafios presentes. Em comum, essas pesquisas reafirmam o compromisso da investigação acadêmica com a promoção da dignidade humana, do pensamento crítico e da construção de sociedades mais inclusivas e sustentáveis.

Ao percorrer as páginas deste número, o leitor encontrará múltiplas perspectivas sobre fenômenos que já fazem parte do cotidiano e que influenciarão, de maneira crescente, os rumos da educação, do trabalho, da cultura e das relações sociais. Mais do que oferecer respostas definitivas, os textos aqui reunidos convidam à reflexão, ao diálogo e à produção de novas perguntas. Afinal, compreender a inteligência artificial implica também refletir sobre aquilo que constitui a singularidade da experiência humana, sobre os sentidos do trabalho e sobre os valores que desejamos preservar e promover em uma sociedade cada vez mais mediada por tecnologias digitais.

Desejamos que a leitura desta edição do Caderno Intersaberes estimule novas pesquisas, amplie horizontes interpretativos e fortaleça o compromisso com uma produção científica socialmente relevante, eticamente responsável e intelectualmente rigorosa. Que os diferentes estudos aqui apresentados inspirem leitores e leitoras a pensar criticamente os desafios do presente e a participar da construção de futuros mais justos, humanos e inclusivos.

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Biografia do Autor

Dinamara Pereira Machado, Centro Universitário Internacional (UNINTER)

Pós-doutora pela Universidade Nacional de Educación a Distancia (UNED - 2019), Espanha, e pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais Aplicadas. Na UEPG, desenvolveu o projeto Direitos Humanos e a Humanização da Inteligência Artificial na Educação: Hipóteses no Presente e incertezas no futuro para o trabalho docente na EAD, sob a supervisão da Profa. Dra. Silmara Carneiro e Silva, em estágio realizado de março a dezembro de 2025, com certificação em 2026. Doutora em Educação: Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mestre em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Gestão da Qualidade na Educação. Possui graduação em Letras, Pedagogia, Geografia e História. É diretora e professora da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas (ESEHL) do Centro Universitário Internacional UNINTER e coordenadora pedagógica da Educação de Jovens e Adultos e dos cursos técnicos da instituição.

Adriano Sousa Lima, Centro Universitário Internacional (UNINTER)

Doutor em Teologia pela PUCPR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2016). Mestre em Teologia Sistemática pela PUCRS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2013). Graduado em Teologia pela FAECAD - Faculdade das Assembleias de Deus (2011). Bacharel em Direito (2023), na UNINTER Centro Universitário Internacional. Membro da Rede Latino-americana de Estudos Pentecostais - RELEP. Atualmente, professor no programa de pós-graduação Strictu-Sensu da Faculdade Batista do Paraná e no Centro Universitário Internacional UNINTER. Advogado.

Adriane Buhrer Baglioli Brun, Centro Universitário Internacional (UNINTER)

Possui graduação em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1991) e mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2001). Especialista em Formação Docente para EAD (2022), Especialista em Relações de Gênero, Raça e Etnia (2024) pelo Centro Universitário Internacional UNINTER. Atualmente é professor titular do Centro Universitário Internacional UNINTER, Coordenadora da Área Territórios e Sociabilidade da Escola Superior de Educação, Línguas e Humanidades - UNINTER e coordenadora de curso, atuou como coordenadora de estágio do Centro Universitário Internacional - UNINTER.

Crisbelli Djamilli Domingos, Centro Universitário Internacional (UNINTER)

 Doutora e mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), na linha de pesquisa de Linguagem e Práticas Sociais, com ênfase em Pragmática e Ciências Cognitivas. É especialista em Formação Docente para EaD e em Ensino de Língua Espanhola e suas Literaturas. Graduada em Letras - Licenciatura em Português e Espanhol, pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Coordenadora da Área de Línguas e Sociedade do Centro Universitário Internacional - UNINTER, cursos de Letras (Português, Inglês e Libras) e História.

Gisele Rocio Cordeiro, Centro Universitário Internacional (UNINTER)

Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2019). Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2004). Possui graduação em Pedagogia pela Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras - FACEL (2008), Educação Artística pela Universidade Federal do Paraná - UFPR (2000).

Maria Tereza Xavier Cordeiro, Centro Universitário Internacional (UNINTER)

Possui Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná (1985), especialização em Educação - Currículo e Prática Educativa - PUC -RJ e em Formação Docente para EAD pela UNINTER. Atualmente é professora do Centro Universitário Internacional UNINTER e coordenadora e da Educação de Jovens e Adultos do Centro Integrado de Educação Básica para Jovens e Adultos UNINTER.

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Publicado

2026-10-02

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